domingo, 18 de novembro de 2012

Acordou tarde pra vida

Volta Redonda, Rio de Janeiro. Dia 18 de novembro de 2012, domingo.

De um lado, uma equipe que fez tudo errado o ano inteiro. Começou o ano atrasando salário e perdendo jogadores importantes. Em menos de três meses, demitiu um técnico vitorioso, apaixonado pelo clube, com passagem pela Seleção Brasileira e pela Europa e totalmente capacitado a estruturar um clube quase falido.

Essa equipe perdeu seu maior astro no ano, viu a sua presidente ir para Londres enquanto a crise aumentava e depositou as suas esperanças no trabalho de um tetracampeão que vinha trabalhando no modesto Nova Iguaçu.

Do outro lado, estava uma equipe que começou o ano muito bem. Contratou um centro-avante argentino que marca gols com regularidade, apostou em um treinador pentacampeão, fez um campeonato paulista decente e foi eficiente na Copa do Brasil.

Mas o tempo é implacável. Flamengo e Palmeiras fizeram um jogo horroroso no Estádio da Cidadania. Mostraram aquilo que todos veem, mas se negam a admitir: não basta ser time grande. Tem que se ter algo a mais que camisa.


O Palmeiras está na série B nacional. Chegou lá "por esforço próprio" e não há como culpar algo ou alguém pelo insucesso. A política do clube, a falta de planejamento, a fase ruim, a falta de dinheiro, a soberba mostrada logo após o título da Copa do Brasil culminaram nesse calvário. Todo erro, meus caros, pede a sua conta.

O ano do alviverde me parece muito com o namoro de um adolescente. O menino conseguiu o amor de uma das garotas mais disputadas do colégio. Depois que já tinha oficializado tudo, acomodou-se. O tempo passou e ele viu que era necessário SER namorado, não apenas no papel. Quando acordou para a vida, já era tarde. Tudo já havia virado um pesadelo.

Talvez o Flamengo merecesse ser rebaixado também nesse Brasileiro 2012. Entre as duas equipes não existe muita diferença. São ruins, fracas, sem nenhum brilho. O rubro-negro conseguiu ser melhor que o Palmeiras apenas na raça. Vai entender porque esse time, mesmo capenga, mesmo aos trancos e barrancos, consegue se manter na elite do futebol brasileiro.

Sei que vão falar de arbitragem, que o Flamengo sempre é beneficiado, etc,etc, etc. Mas, deixando a paixão de lado, é preciso dar o braço a torcer: quando a camisa do Flamengo está do outro lado, os adversários mudam, o estádio fica meio diferente e o jogo nunca respeitará a lógica. Por isso, o time fraco consegue ganhar do Atlético MG. Por isso segue intocável na elite.

Que a situação alviverde sirva de lição para o seu adversário desse domingo, porque, um dia, aquela camisa vermelha e preta pode não ser suficiente para evitar o maior dos vexames para um gigante do futebol.

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